Páginas

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

LIMITAR A PROPRIEDADE EM DEFESA DA VIDA DA JUVENTUDE



A Pastoral da juventude do Brasil, lançou importante campanha que trata do
Extermínio de Jovens, é um grito forte em defesa da vida da juventude cada vez mais vulnerável em grandes centro urbanos e no interior do país sofrendo com a criminalização juvenil e sendo assassinada por diferentes mecanismos de repressão, desde a morte física ao abandono em relação a políticas públicas para a juventude. A morte do jovem padre e assessor da Pastoral da Juventude no Brasil Gisley, traz a tona o tema que não poderá ser esquecido enquanto houver um jovem tombando neste país.
O tema do limite da propriedade toca diretamente esse assunto. Com o ascenso da modernidade e da pós modernidade, a cidade fora cada vez mais tornando-se referência, não somente a juventude, mas a cultura camponesa paga o preço pelo esvaziamento nos últimos quarenta anos de políticas relacionadas a sobrevivência a partir do campo. Para a juventude ainda pior, se quiser estudar e ter acesso ao mecanismos de lazer cada vez mais a juventude tem que deixar o campo e ir embora para a cidade.
Com o bum tecnológico à partir dos anos noventa ainda mais o campo brasileiro vai sendo isolado e a juventude sempre mais expulsa para as periferias das grandes cidades brasileiras. A monocultura e o agronegócio vão descaracterizando a cultura camponesa e as pequenas propriedades vão sendo oprimidas por um sistema que favorece sempre mais a grande propriedade, há também um envelhecimento do campo, com os filhos longe do campo, famílias inteiras vendem ou abandonam a pequena propriedade para irem embora para a cidade. Oportunidade única para que latifundiários aumentassem ainda mais suas posses comprando ou arrendando pequenas propriedades muitas vezes com valores bem abaixo do estimado.
Segundo dados do IHA (Índice de Homicídios na Adolescência) de 2006, no conjunto dos municípios com mais de cem mil habitantes, o valor médio de vidas de adolescente perdidas por causa de homicídios foi de aproximadamente de dois para cada grupo de cem adolescentes de doze anos. Nos dados de 2006, em Foz do Iguaçu, cidade paranaense localizada na fronteira do Brasil com Paraguai e Argentina, estima-se que num período de sete anos cerca de quinhentos jovens entre 12 e 18 anos sejam assassinados, o maior índice do Brasil.
A vulnerabilidade social nas periferias ataca diretamente a juventude, que paga o preço caro da não existência de política públicas que possam apontar para uma melhora de vida, no sentido da qualidade de vida. Expostos a violência, ao tráfico e a uma série de ameaças que estão presentes desde as grandes cidades de nosso país a cidades menores como Marabá no Pará com cerca de duzentos mil habitantes onde se estima que em sete anos cerca de duzentos jovens entre 12 e 18 anos serão assassinados.
Deste modo percebemos a necessidade de focalizarmos sempre mais o campo como espaço de vida, a pequena propriedade deverá ser valorizada, para que nossas vulnerabilidades sociais em relação a juventude sejam superadas. É preciso investir em políticas públicas para que nossos filhos e filhas consigam sempre mais permanecer no campo, não como sujeitos isolados, mas com acesso a mecanismos importantes como educação, saúde, lazer, entre outros.
É preciso perceber que com o limite da propriedade novas relações sociais deverão ressurgir, pequenas comunidades, grupos de famílias morando umas próximas das outras vão resgatando um estilo de vida mais comunitário e fraterno de se viver. Assim a cultura camponesa vai se ressignificando e a juventude camponesa ganha sentido, pois consegue ser feliz mesmo morando fora da cidade. E por ter acesso a transportes e estradas consegue acessar os centros urbanos com facilidade. Esse é nosso sonho: que a vida da juventude, seja a vida da terra, da água e de todo planeta, para que tenhamos um futuro com vida digna para todos, onde a produção continue alcançando a mesa de todos os brasileiros e que terra não seja mercadoria, mas seja lugar de vida e não de extermínio.

Confira no site do Limite:
http://www.limitedaterra.org.br/noticiasDetalhe.php?id=212

terça-feira, 20 de julho de 2010

PADRE JULIO. PREGOS DE UM PROFETA:MATÉRIA QUE FIZ NA ÉPOCA QUE PADRE JÚLIO FOI CALUNIADO E A FOLHA DE SÃO PAULO NÃO PUBLICOU



Acredito que neste momento qualquer manifestação pode parecer antecipada ante os fatos que vem acontecendo com padre Julio Lancelloti, mas mais ainda, que não deva haver silêncio por parte daqueles que conhecem minimamente seu trabalho.
Padre Julio pode ser caracterizado a trabalhos e personagens na história da Igreja, que de certa forma marcaram a vida desta e deixam até os dias atuais sinais visíveis de inspiração para ação concreta, principalmente em favor daqueles que foram colocados à margem da sociedade de ontem e de hoje. Podemos lembrar o exemplo de Francisco de Assis, Vicente de Paulo, Leonardo Murialdo, Dom Bosco, Teresa de Calcutá, entre tantos outros, que não por menos sentiram o apelo do Evangelho mais forte: “toda vez que o fizerdes a um de meus irmãos é a mim que o fazeis” (Mt 25,40). Certa vez ouvindo uma mensagem de D. Luciano Mendes de Almeida, amigo de padre Julio, que dizia: “faço questão de atender aos andarilhos e mendigos em minha própria residência, vai que um desses é o próprio Jesus, jamais recusaria hospedá-lo”. Padre Julio, vigário geral do povo de rua, titulo concedido por D. Paulo Evaristo Arns, com sua simplicidade e coragem de atuar em realidades complicadas, onde muitos de nós desconhecemos e às vezes intocáveis pela ação do poder público de nossa sociedade, age sempre com gratuidade e amor. Toda vez na história que alguém mudou paradigmas, mexeu com estruturas, pagou o preço da incompreensão social, o próprio Jesus de Nazaré, ao qual muitos de nós dizemos acreditar, morreu vítima da intolerância e da incompreensão de grupos de sua época.
Não sou um profundo conhecedor do trabalho de padre Julio, acredito que o suficiente para perceber que seu reconhecimento internacional, não é meramente um reconhecimento político, mas também não o deixa de ser, pois como já o afirmei, Lancelloti com seu trabalho realiza o que muitas vezes deveria também ser papel do poder público, não que não o possa fazer, acredito que o deve, pois como padre e como cristão cumpre o mandato do Senhor: “libertar os cativos, anunciar a boa nova aos pequenos e excluídos” (Lc 4,18), mas a coisa é muito mais profética do que se pensa, lembro-me dos pregos colocados nas marquises da Sé em São Paulo, na ocasião padre Julio e D. Luciano gritaram em defesa daqueles que só contavam com este espaço para se abrigar, José Serra prefeito de São Paulo na ocasião, mentor de tal projeto juntamente com a subprefeitura Sé, não ficaram surdos a esta profética defesa, acredito que algumas cicatrizes ainda marcam, não sei se pelos pregos ou pela profecia. Também profetas foram perseguidos na história, de João Batista cortaram a cabeça.
A mídia mostra nossos padres de duas maneiras: cantando em shows, transmitidos ao vivo ou em situações muito desagradáveis de acusação a um série de fatos, os shows minimizam o verdadeiro itinerário de acusação, mas não abafam o rosto triste de um padre que doou toda sua vida em nome de um projeto, ou muito mais do que isso, que abre mão de sua própria vida, a coloca em situação de risco, através de ameaças, calúnias, difamações principalmente daqueles que ainda não o entenderam em seu trabalho. Para mim pessoalmente padre Julio é inocente de tudo isso que lhe acusam, distorções neste caso haverão, pois ele balançou a árvore do sistema que cada vez mais exclui e aumenta a distância entre pobres e ricos, e a mídia não está nas mãos dos pobres. Ou está? Precisamos neste momento perceber, com discernimento, que pode haver duas situações muito claras, perseguição, política ou de qualquer outro calibre, ou retaliação a algumas atitudes corajosas. De qualquer forma, se padre Julio tivesse condições de ler esta pequena manifestação, gostaria que soubesse que “bem aventurados são os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus” (Mt 5,10), tenho certeza que o nosso Deus que libertou seu povo do Faraó e enviou seu Filho para nos libertar, irá mostrar mais uma vez que está do lado daquele que está ao seu lado, neste caso, padre Julio Lancelloti.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

OS SONHOS DE DEUS, NOS SONHOS DA GENTE



Ò Deus que sonhas com a humanidade, os sonhos de criança, sonhos de esperança.
Que sonhou pra seu povo na escravidão, a libertação.
Que na sede, sonhou água, na fome pão.
Que na caminhada sonhou caminhando e ensinando a caminhar.
Que na esperança da vinda do teu Filho, ensinou-nos a sonhar.
Ensina-nos sonhar com os sonhos de Deus.
Assim como sonhou teu povo, assim como sonha nós.
Para que num mundo desacreditado, sonhemos com a ternura da luta e da perseverança.
Na injustiça, sonhemos com a justiça, com a crença na luta.
Na morte sonhemos com a vida com a dignidade de mulheres e homens.
Na partilha, o sonho do pão...
Para a irmã e para o irmão.
Na desavença, mais amor e união...
Ensina-nos Deus que sonho, não é ilusão, nem imaginação...
Mas é luta, é busca, é caminhada...
Que nossos sonhos, sejam teimosos, como os sonhos de Deus...
Que acreditou e acredita no seu povo, mesmo que este erre na jornada...
Não perdermos os nossos sonhos... é não perdermos a esperança de criança.
Que um dia vê alegre à realização do sonho... que sorri e imagina...que chora e insiste.
Nosso sonho é o sonho de Deus, sonho de menino, menina pobre, cheio de sabor e utopia, sonho ousado, suado, acreditado...
Nosso Sonho é o Reino, ver florir a vida, a justiça, a alegria...
É conjugação certeira daquilo que é acreditado, sonhado, caminhado, lutado, realizado...
Que o Deus de nossas lutas e sonhos não nos deixe imobilizados, mas de pé prontos e acordados, pro Reino que vem, pro outro mundo tão esperado...
Amém, Aleluia, Axé.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

CAMINHO E CAMINHADA




Onde há caminho, há caminhada?
Nem sempre...
Há caminhos vazios,
De esperança, de utopia, de luta, de flores e folhas,
De paz, de amor, de força, de sensibilidade de sonhos,
de Reino e de gente.
Os caminhos vazios serão sempre caminhos...
Podem até levar a algum lugar, que nem sabemos onde é, não nos interessa.
Ninguém vai...
Caminho só tem sentido quando é caminhada...
Ali tem sonho, tem cheiro, tem gosto tem gente...
Só tem jeito de ser com muitos pés, não apenas com dois, mas muitos,
Só tem sentido se tem ousadia, se tem utopia, se tem chinelo,
Se tiver calo, suor, sangue, passos, travessia, suor...

terça-feira, 29 de junho de 2010

LUIZ COMO TANTOS LUIZES, SÓ QUE MEU AVÔ

MORRE A ESPERANÇA, MORRE A UTOPIA


Assistindo o filme Corrente do Bem, cheguei a uma série de conclusões em relação a mim mesmo, pude ver quanta coisa que já acreditei um dia e que hoje não acredito mais, quantas coisas que sou capaz de realizar e não realizo. Pude fazer uma auto-análise e perceber que eu apenas sou um reflexo de uma sociedade que entrou numa lógica, onde ninguém mais é capaz de realizar o bem. Pequenos gestos, pequenas atitudes, parecem banais, mas são capazes de transformarem o mundo, se não pelo menos a realidade mais próxima a nós.
As pessoas se entrecruzam, se vêem diariamente, mas nada sentem. O outro é apenas mais um, quando não um concorrente, conforme a consciência de mercado. Dentro das próprias famílias, há pais que não conhecem bem seus filhos e vice-versa. O forte acento ao individualismo vai ocasionando aos poucos a morte da esperança, não acredita-se em mais nada. O próprio ser humano vai se “autodesacreditando”, perde noção de sua própria potencialidade. Penetra num mundo desconhecido dentro de si próprio.
Não acreditamos em nós mesmos, quanto menos os outros. A pergunta que fiz a mim mesmo e quero desafiar a uma resposta é: o que significaria para o mundo hoje a morte da esperança?
Primeiro é preciso ter claro de que a esperança esteve presente em toda historia da Igreja, foi ela quem deu sem dúvida o impulso para que a mensagem da Boa Nova fosse anunciada. “a perseverança produz fidelidade, e a fidelidade produz esperança” (Rm 5,4). Esperança é uma palavra comum na Bíblia, está sempre alimentando o povo de Israel que caminha no deserto em busca da terra prometida, está naqueles que seguem Jesus, na certeza e na esperança de que a paz e a justiça possam reinar sobre a terra. Na Igreja Primitiva é ela quem impulsiona os nossos primeiros mártires, que se doam, na esperança de que outros também possam conhecer e se doar pelo Reino da Vida. Enfim é a esperança que sempre leva os cristãos a lutarem por um mundo novo, pois acreditam na sua possibilidade.
A morte da esperança nesta sociedade basicamente individual significa a morte dos sonhos e utopias, de pessoas que deveriam defender-se dos ataques covardes do sistema capitalista neoliberal, mas que preferem ficar caladas, vendo a fome, a guerra, à injustiça, a falta de humanidade de nossos políticos, como se fosse a coisa mais normal do mundo, não vislumbramos outras realidades, pior, não lutamos por outras realidades possíveis, onde o projeto de Deus possa efetivamente acontecer: “que todos tenham vida”.
Deixar a esperança morrer, é se deixar levar pelo consumismo barato, de que tenho tudo o que preciso, o resto não me interessa. Interessa sim. É o futuro de nossos filhos e netos que está em jogo, enquanto nos calamos, eles vão cada vez mais destruindo nosso meio ambiente, vão corrompendo as políticas públicas que deveriam estar a serviço de toda sociedade e não de uma parcela dela, vão assassinando nossas crianças com a violência e com a miséria.
Não caiamos na decisão errada de que somos donos do mundo, somos donos da nossa liberdade e o que fazemos com ela é o preço que pagaremos.

terça-feira, 1 de junho de 2010

MORADIA DA VERDADE



Em tempos de perguntas e respostas, somos convidados/as, a buscarmos respostas abrirmos janelas em vez de fecha-las, construir possibilidades, em vez de esperar.
Podemos parecer muitas vezes antiquado, mas o que somos quando agimos pela busca da verdade, é autenticidade.
Nas palavras do mestre Helder, "não dá mais para silenciar, vendo tanto sofrimento nesta humanidade".
Somos moradia da verdade, quando acolhemos as pessoas e o mundo em nós, é a para a verdade que o acolhemos, é aí que habita a verdadeira liberdade.
As estruturas desta casa jamais se abalarão, pois estão firmadas no Projeto de Humanidade chamado Reino de Deus e o que a sustenta é o Espírito Criador, aquele move, gera e faz da gente cuidadores da ciranda da criação.